29.06.07: Pela Literatura Independente

Olivia Maia

Eis um post que se eu pensar demais vou acabar não postando.

Não é por ser mal-agradecida. Sei bem, porque está meu livrozinho de estréia pela Brasiliense espalhado em livrarias (teoricamente). E também que vou saber enfim quando esse troço vendeu na semana que vem. Penso.

Mas é que cansa.

Muito mais certa é a literatura independente, cada um publica o que bem entende, vende pra quem interessar. Não sai na Folha nem no Fantástico, mas, convenhamos, muita gente boa publicada também não sai.

Das grandes editoras, são poucas as que tem um bom trabalho de divulgação. A Cia. das Letras e… Buena. A Cia. das Letras faz um bom trabalho de divulgação, é verdade. E a Cia. das Letras, mais do que qualquer outra, não está lá tão interessada em publicar desconhecidos (não é impossível, veja bem, por vezes os astros se alinham e seu original cai nas mãos de um agraciado editor que acordou no humor certo para o seu estilo de escrita, mas isso não é, digamos, o que acontece na maioria das vezes), ainda mais porque essa editora está com o calendário de publicações provavelmente muito bem preenchido até 2011.

Claro. Com sorte, cai-se nas mãos de um editor que realmente está interessado em te ver crescer. Pode acontecer. Mas e achar o caminho?

Quero dizer: você é publicado, cai na graça de meia dúzia de jornalistas de pequenos veículos, alguns amigos te arrumam contatos, etc. E devo imaginar que existam leitores que te descobrem porque você foi citado aqui ou ali.

Mas não é isso.

Esses leitores não chegam em você. E você nunca vai ficar sabendo da existência desses leitores. Será que…?

Afinal, escrever? De que me serve? Escrevo. Depois de Desumano, já escrevi dois, e estou terminando um terceiro. Pensando em publicar? Inevitavelmente, mas tudo isso me dá uma angústia tremenda. Porque eu estou sempre muito mais preocupada em escrever do que publicar. Ou melhor: eu estou sempre muito preocupada em publicar, mas não consigo parar de escrever para fazer dessa preocupação uma ação. E daí, a angústia. Ir atrás de publicação dá muito trabalho e é muito chato e eu não tenho dinheiro para pagar agente literário para fazer isso por mim.

O segundo policial que escrevi se chama Operação P-2 e está prontíssimo. E gosto tanto dele. Queria ver ele por aí, em mãos alheias, em bocas alheias. Mais que os meus amigos próximos. Porque tem pelo menos 75 pessoas que lêem esse blog (ou fingem que, segundo o FeedBurner) e talvez ainda outros que poderiam estar interessados. Sim?

E vejo o Biajoni. Ou o Alex Castro. Literatura independente. Escrevem e têm os seus leitores. Pode não ser o grande oceano pacífico de leitores, mas. Nem sei se eles continuam buscando editoras, mas será que precisa? Na verdade eu vejo os dois e fico mesmo é com vontade de fazer como eles.

É que a internet, etc, etc.

Sabemos bem, nós, que moramos aqui na internet. Não o sabem todos, mas nós.

Pois. Cansa. E eu não tenho a menor paciência e habilidade para ficar por aí buscando publicações. E se eu continuar com esse péssimo hábito de escrever um ou dois livros por ano, a coisa vai começar a ficar feia.

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