17.08.07: Produção independente

Olivia Maia

Quando escrevi meu primeiro livro eu tinha acabado de completar oito anos. Foi em março de 1993. Então fiz o que qualquer escritor ansioso por ver sua imperdível obra literária nas mãos de seus leitores faria: uma produção independente.

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O livro do topo é esse primeiro, e o engenhoso título “Não é fácil ser famoso… Ou é?” já é um sinal da minha sensacional desenvoltura na criação de títulos sugestivos, além de apresentar a incerteza que ronda o homem moderno acerca da fama e do reconhecimento. Os outros vieram depois, em um período seguinte de cerca de um ano, o que indica uma longa e promissora carreira.

Também se vê pela contra-capa que um escritor multi-tarefas vale por dois. O crédito da produção e publicação foi deixado de lado, porque eu, ham, provavelmente não sabia o que isso queria dizer.O livro conta, em surpreendentes seis páginas e em uma narrativa ágil e eficiente, a história de um gato laranja e listrado chamado Duquei (e eu juro que não sei como isso deveria ser pronunciado) que queria ser como o Garfield. Um dia, ele topa com Garfield no meio da rua e pede um autógrafo.

Aproveitando o momento, pergunta ao outro o que fazer para ser como ele, famoso e importante. E Garfield o apresenta ao desenhista.

Porque lógico que existia o gato dos quadrinhos e um gato real, que servia como modelo para os quadrinhos. Obviamente, um gato de quadrinhos jamais poderia existir apenas no mundo dos quadrinhos.

E no dia seguinte Duquei vira o famoso Duquei das histórias em quadrinhos. E conclui que o único problema da fama é aguentar as pessoas pedindo autógrafos (e pedindo para ser como ele, imagino).

Claro que o livro não fez lá tanto sucesso e a distribuição foi um pouco precária (entre outros problemas, a tiragem foi de um exemplar), mas os meus dois ou três fieis leitores, na época, disseram que eu era a novíssima revelação da literatura brasileira. Sem dúvida alguém a se ficar de olho nos próximos anos (principalmente porque eu não tinha amigos, tinha orelhas enormes de abano e passava horas sozinha com uma pilha de blocos de construção).

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6 Respostas para “17.08.07: Produção independente”


  1. 1 Gustavo do Carmo Agosto 18, 2007 às 11:58 pm

    Quando eu era criança, adorava aquele seriado que a Globo exibia nos anos 80, o Primo Cruzado. Na história verdadeira (não lembro o nome original do caipira), um cara vinha do Texas para mudar a vida do primo solteirão Larry em Nova York. Mas na dublagem, a Globo traduziu o nome do personagem para Zeca e vendeu a versão de que ele era brasileiro de Minas Gerais. Eu, como uma criança ingênua que sempre fui e ainda sou (rs), acreditei e inventei de fazer história em quadrinhos do Primo Cruzado. Fiz uma encadernação igual a sua. Depois, inventei de escrever um romance que nunca concluí. Nada existe mais.

    Anos depois, inventei de escrever um conto em que um jovem tenta o suicídio e é salvo por uma bela jornalista. Seis anos depois, reencontra a sua heroína e é convidado a trabalhar lá.

    Depois de registrar equivocadamente no SBAT como peça de teatro (valeu pelo registro automático na Biblioteca Nacional feito por eles), achei melhor fazer um roteiro daquela história. Criei diálogos que não existiam no conto original, inventei novos personagens e já tinha pronto um roteiro que não era nem de teatro (porque exigia cenas externas) e nem de cinema (que não tinha as marcações técnicas). Deste roteiro, comecei a escrever umas narrações literárias, nem tão poéticas, e dividi tudo em capítulos. O resultado foi um romance de 246 páginas em word. A partir daí começou a minha odisséia para tentar publicar o livro NOTÍCIAS QUE MARCAM.

    Portanto, tudo o que a Adelaide (minha amiga e colega de oficina de contos) falou no post abaixo eu vivi. Acabei optando pela edição independente que foi descrita igualzinho pela Deda.

    Hoje, já até desisti de querer publicar outro livro independente. Tive uma proposta de uma editora, mas teria que pagar a metade do processo que era quase o mesmo preço do que eu paguei. Propus ceder os meus direitos e ainda espaço publicitário no livro para a editora fazer propaganda de outros títulos. Não tive sucesso. Não aceitei para evitar um novo perrengue que eu enfrento para vender o Notícias que Marcam.

    O meu desejo agora é ser colunista remunerado de um jornal (de preferência) para publicar os meus contos que eu tomei gosto de escrever em uma oficina literária.

    Livro, só se eu tiver a fama que me ajude nas vendas e uma antologia com os contos já publicados. Estou reservando alguns para mantê-los inéditos quando chegar o livro, mas está sendo difícil porque sou colaborador de um blog, publico todas as semanas e, como tenho escrito poucos contos, preciso soltar alguns da minha gaveta.

  2. 2 Kash Dezembro 20, 2007 às 1:31 pm

    Olá…

    nos conhecemos no Bar Genial, lançamento do “Meias vermelhas e histórias inteiras” lembra?

    Só depois descobri que aqueles adoráveis pequenos são seu filhos… Figurinhas notáveis e adoráveis…

    Só depois tbm foi que descobri que vc “conhece” a Srta. Bia.. minha amiga amada, por influência de quem eu comecei a blogar e acabei naquele bar aquele dia…

    Gostei do seu livro e se soubesse que Bia é tão sua fã, teria trago um pra ela tbm hehehe…

    bjos

  3. 4 janainanessi Fevereiro 28, 2008 às 12:42 am

    Bom, eu teria comprado o livro… Adoro o Garfield e teria adorado o gato que não sabemos como pronunciar o nome… :-)
    Janaina Nessi by http://underdogsblog.wordpress.com

  4. 5 Flávio Março 27, 2008 às 4:06 pm

    Que texto mais fofo! Um roteiro e tanto pra uma criança de oito anos.

    Nunca fiz dessas publicações extremamente independentes quando criança, mas tem umas folhas de almaço aqui do lado me olhando bonito…

  5. 6 silas correa leite Maio 27, 2009 às 1:55 pm

    MUito bom o site, o design, o conteúdo e sobre como as editoras tratam os autores
    Conheço bem a história
    Abraços
    Silas Correa Leite
    http://www.portas-lapsos.zip.net


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