Chegaram alguns e-mails aqui no caderno comentando a reportagem desse sábado sobre a ‘pilha de ilusões’. A matéria mostra como funciona nas editoras o processo de avaliação dos originais que chegam pelo correio, sem que ninguém solicite ou recomende. São de 15 a 30 originais por semana, por volta de mil por ano, mas, apesar das esperanças das pessoas que os enviam, esses textos quase nunca são publicados. Nos últimos anos, as editoras consultadas para a reportagem publicaram zero ou quase zero a partir do que chegou pelo correio. A exceção é a Rocco, que publica cinco livros por ano com base nesse material.
Muita gente levou um susto com o tamanho do descompasso entre suas expectativas e a realidade. Alguns escritores ficaram revoltados e desanimados com o pouco interesse dos editores pelos originais não solicitados.
O fato é que um novo autor tentando publicar seu primeiro livro dificilmente conseguirá entrar numa grande editora sem construir, antes, algum tipo de reputação, ou sem alguma recomendação que leve o editor a olhar ser livro com mais atenção. Como dizem os próprios editores, mesmo bons livros bons de gente nova deixam de ser publicados, por critérios comerciais, ou porque o livro é considerado bom mas não o bastante para substituir outros que já estavam no cronograma de impressão.
Das revelações surgidas nos últimos anos na literatura brasileira, poucas começaram por grandes editoras. Não é à toa que novos escritores têm buscado outros meios de publicação. Em alguns casos, criando editoras e bancando as edições, ou fazendo a venda do livro por internet.
O que se vê pelas opiniões que chegaram aqui é que o assunto afeta profundamente quem busca um editor para seu livro.
Abaixo, a opinião de um autor que escreveu para cá e prefere não ser identificado.
As editoras não têm nenhuma política definida para descobrir novos autores. Não prestam atenção nos movimentos de literatura fora do mercado e nem sequer conseguem ler o que lhes chega na mesa de trabalho. Não sei se falta interesse ou estrutura para isso. Mas minha impressão é que falta mesmo vontade, garra e até talento.
O grande problema é que no Brasil não existem boas editoras médias, voltadas para ficção nacional. Ou são as grandes, que lançam seus 5, 10, 15, 30 livros por mês ou as pequenas em que alguns autores até pagam para publicar.
Até o cara escrever seu terceiro livro e a Record, Rocco etc publicar, ele fica relegado ao anonimato das pequenas, em que o livro é até comentado, mas não é encontrado nas livrarias nem do Rio, imagina do resto do Brasil.

eu não tenho mais meus livros na forma impressa, apenas na forma virtual (blogs). será que eu poderia disponibilizá-los em seu site nessa forma?